VOLTA RÁPIDA



YURI RAVITZ é o editor do Volta Rápida, que começou no Instagram e agora é também canal no YouTube. Estudante de jornalismo e apaixonado por carros desde sempre, Yuri dirige e avalia carros que a maioria dos brasileiros não dirigirá nunca, com sensibilidade e talento precoces. Ele é nosso novo parceiro e todas as semanas enviará avaliações, dicas e reportagens sobre essas máquinas!








MERCEDES-AMG GT R: PRESENTE DE BODAS DE OURO

Reportagem e fotos: Yuri Ravitz (Volta Rápida)



Faz 50 anos desde o surgimento de um dos nomes mais emblemáticos da história do automóvel; a sigla AMG, de Aufrecht Melcher Grossaspach, incorpora os sobrenomes de seus criadores ao da cidade onde trabalhavam. Os engenheiros Hans Werner Aufrecht e Erhard Melcher começaram trabalhando no desenvolvimento de motores da então Daimler-Benz, e tenho certeza de que não faziam ideia da dimensão que seu trabalho ganharia, apesar de sonharem alto.


O que era um sonho se tornou marca, e logo a marca foi agregada a própria Mercedes-Benz, se tornando responsável pelo "tempero" de sua variada linha de modelos que inclui de hatchbacks a SUVs e sedans de alto luxo. Focados em alta performance, os modelos que recebem o trato AMG combinam o melhor dos dois mundos ao trazer o requinte característico de um Benz e a emoção de guiar um projeto pensado para atingir altas velocidades e bater recordes nas pistas.

A divisão Mercedes-AMG completa 50 anos agora em 2017, o que motivou eventos diversos e comemorações em todo o mundo. Aqui no Brasil, um deles foi o AMG Meeting que aconteceu no começo de Agosto e foi realizado pela Itatiaia Mercedes de Barueri, SP, com quem o Volta Rápida possui parceria e, portanto, tem acesso a tudo que a empresa faz. 



O encontro dedicado a proprietários e fãs dos modelos AMG trouxe também os principais carros da linha atual e alguns lançamentos, dentre eles a nova geração do sedan superesportivo E63 S e o incrível GT R, coupé lançado há pouco mais de um ano que já conseguiu o feito de estar entre os mais rápidos no circuito de Nürburgring, o que é mérito do seu motor 4.0 V8 biturbo de 585cv e 71,4kgfm de torque gerenciados por uma transmissão automatizada de dupla embreagem com sete velocidades.

Naturalmente, o centro das atenções do evento foi o GT R (que é o único no país até agora), o que dificultou bastante a produção de fotos e vídeos sem que aparecesse alguém junto. Pudera: o alemão ostenta uma carroceria em pintura verde forte com acabamento fosco, chamada de Green Hell Magno pela marca e desenvolvida especialmente para ele. Um item extra que custa 7500 euros, e apenas um elemento diferencial deste exemplar que acumula mais de 90 mil reais em opcionais (dentre os freios em carbono-cerâmica e o acabamento interior).


Mas o que torna o GT R tão especial, além de sua exclusividade? A resposta pode ser obtida ao olharmos o atual line-up da Mercedes-Benz. O GT R hoje é o que a marca tem de mais poderoso (e caro) quando se fala em carros de alto desempenho, superando até mesmo nomes de muito peso como o lendário SLS Black Series (que fez 7:26 ao redor do "Inferno Verde" contra 7:10 do GT R). Não apenas isso: o GT R chegou em um momento que a AMG pode se considerar no auge, com uma linha mais variada do que nunca e bons índices de vendas.


Outras coisas muito interessantes do monstro verde são o sistema de esterçamento das rodas traseiras, inédito em um AMG e que auxilia no bom comportamento em curvas. O sistema faz com que as rodas traseiras girem em um ângulo mínimo (cerca de 1,5 grau) ao mesmo tempo das dianteiras (em sentido diferente até 100km/h, e no mesmo sentido acima disso). A aerodinâmica ativa faz sua parte através de aletas e um spoiler dianteiro controlados eletronicamente, a fim de manter o carro no chão o tempo todo.

Ao entrar no GT R, um misto de vontade de acelerar com o prazer em admirar os detalhes. A cabine que abusa de couro Nappa e Alcantara faz contraste com o aço escovado dos detalhes e da fibra de carbono do console central, tudo decorado por costuras e cintos amarelos (também itens opcionais). Para quem não sabe, GT significa "Gran Turismo" e designa historicamente carros de luxo feitos para longas viagens em alta velocidade e muito conforto, coisas nas quais a Mercedes tem experiência de longa data.



Não restam dúvidas de que o GT R é um carro especial, e bem acima dos irmãos GT/GT S e GT C. Chegando ao Brasil pelo preço de R$1.119.900 já completo, infelizmente não é o tipo de carro que veremos com frequência pelas ruas, mas que nos deixa felizes só pelo fato de rodar por aqui. Sendo mais largo e leve que seus irmãos, o GT R se consolida como o melhor presente que a Mercedes-AMG poderia ter dado a si mesma, e a todos nós amantes de carros.​


JAGUAR XFR-S 5.0 V8 SUPERCHARGED - AVALIAÇÃO

Reportagem: Yuri Ravitz (Volta Rápida)
Fotos: Jeferson Félix
Carro cedido pela Costallat Automobile
Clique na primeira foto para abrir o álbum





Passamos por muitos eventos ao longo da vida, tanto bons como ruins, e é a partir deles que vamos moldando nossa forma de encarar o mundo. Interessante é que por mais que a gente se transforme durante tal processo, não perdemos nossa essência (ou raiz, se preferir). Com alguns carros acontece a mesma coisa; prova disso é o Jaguar XFR-S, versão mais nervosa do sedan britânico intermediário da marca e que traz um 5.0 V8 debaixo do capô com nada menos que 550 cavalos de potência e 69,3kgfm de torque.





A grande transformação do XFR-S em relação ao modelo que o originou (o XF "civil") é percebida logo de cara; o bodykit agressivo melhora a aerodinâmica, auxilia no arrefecimento da usina de força e confere personalidade própria ao super sedan. As rodas de 20 polegadas e seis raios ostentam acabamento em preto brilhoso e calçam pneus Pirelli P-Zero de medidas 265/35 ZR20 na dianteira e 295/30 ZR20 na traseira, além de mostrar os discos de 380mm na dianteira e 376mm na traseira.




O tom de azul da carroceria se chama French Racing Blue, e pode ser visto também na costura do acabamento das portas, parte superior do painel e nos confortáveis bancos com ajustes elétricos e duas posições de memórias (para os dianteiros). Aliás, são os únicos detalhes que se destacam pela coloração "ousada", pois todo o interior revela a essência luxuosa dos britânicos; predominam os materiais nobres como o revestimento de Alcantara em todo o teto, fibra de carbono e aço escovado nas folhas de porta e console central, tudo sempre em cores neutras puxadas para os tons mais escuros.







Falando de essência, o XFR-S traz pacote tecnológico com alterações mínimas em relação ao XF comum. Podemos destacar da lista de itens de série os faróis bi-xenon adaptativos com luzes diurnas/de posição conjugadas, setas e luzes de conversão estática (se acendem de acordo com a direção do volante, iluminando em curvas), tudo em LEDs, ar condicionado de duas zonas com saídas traseiras, sistema multimídia com tela sensível ao toque e navegação por GPS, bancos dianteiros e volante multifuncional com aquecimento e sistema de som Meridian surround. Alguns podem sentir falta de elementos como teto solar e Head-Up Display (HUD), mas o XFR-S agrada pelo ambiente sóbrio da cabine e pelo acabamento primoroso em todos os lugares.




Mecanicamente, o 5.0 V8 alimentado por compressor mecânico (supercharger) é o mesmo usado nos Range Rover Sport SVR e F-Type R. São 550cv de potência a 6500rpm e 69,3kgfm de torque a 2500rpm jogados somente para as rodas traseiras, e tudo controlado por um câmbio automático ZF de oito velocidades que permite trocas manuais pelos paddle shifters atrás do volante, ou mais agressivas pelo modo S no seletor giratório do câmbio presente no console central. Há dois modos de condução disponíveis, Trac DSC e Dynamic, que podem ser selecionados por botões de atalho rápido próximos ao seletor do câmbio. Enquanto o primeiro altera apenas o comportamento do controle de estabilidade (deixando o carro mais arisco, mas ainda seguro), o segundo transforma o XFR-S em um monstro difícil de ser domado, como se espera de qualquer V8 com tração traseira.




A partida é dada por um botão "pulsante" na parte inferior do console. Ao apertá-lo, o ronco abrutalhado e vigoroso do motor quase não pode ser ouvido do lado de dentro graças ao isolamento acústico de primeira, e os passageiros assistem a um pequeno "espetáculo" com os difusores do ar condicionado surgindo no painel. Interessante no XFR-S é que mesmo com sua suspensão mais rígida, rodas enormes com pneus de perfil baixo e força bruta de sobra, a condução em ambiente urbano é pacífica e não cansa o motorista. Mas não se deixe enganar; ao pisar fundo, você irá colar no banco e ver o britânico avançando com fúria total, enquanto o rugido do V8 não deixa dúvidas de que se trata de um supercarro. 




O intrigante é o equilíbrio surpreendente do sedan, que não ameaça sair de traseira ou fugir do comando do motorista em momento algum, bem como a frenagem exemplar. Tudo isso, entretanto, é possível graças a eletrônica embarcada e dinâmica afiada, resultado de todo o trabalho de acerto do modelo feito diretamente nas pistas (incluindo o circuito de Nürburgring). No modo Dynamic, o XFR-S se comporta como um bom e velho muscle car americano, destracionando com facilidade e arrancando sorrisos (ou gritos de desespero) de quem estiver dentro.




Ele pode não ser o mais famoso ou equipado do segmento, especialmente porque a concorrência (leia-se o trio alemão) investe pesado no pacote tecnológico, mas isso não diminui seu poder de encantar. Mirando no público que privilegia o conservadorismo (mas que gosta de quebrar as regras de vez em quando), o XFR-S tem o poder de lhe fazer se sentir em um pacato XF durante a semana, ou em um furioso R-S aos sábados e domingos. Melhor ainda: se mostra uma alternativa interessante e igualmente veloz aos BMW M, Audi RS e Mercedes AMG, caso seu objetivo seja fugir dos padrões.












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